domingo, 11 de abril de 2010

Proposta para o Ribeirão Arrudas


No último dia 27 tivemos a oportunidade de ver mais de perto uma região do Ribeirão Arrudas. Caminhamos desde a Estação Santa Tereza até a Estação Central e com isso foi possível observar a maneira como o rio compõe a paisagem urbana. Porém o Arrudas não é visível em todo o percurso caminhado. A partir de um certo ponto, mais precisamente atrás do Parque Municipal, o rio passa a ser coberto até as proximidades do viaduto que dá acesso à Avenida Cristiano Machado. Esse projeto recente, o Boulevard Arrudas, tem o objetivo de alargar as pistas em favor do tráfego de veículos para a Linha Verde, um projeto do Governo que pretende facilitar o acesso ao Aeroporto Internacional de Confins.


No início do trajeto conhecemos uma pista de caminhada localizada na Avenida dos Andradas que se estende até aproximadamente a Avenida do Contorno. A pista é ampla, não há trânsito de veículos e possui uma parte reservada aos ciclistas e outra aos que preferem caminhar. Este tipo de espaço destinado ao uso da população é algo cada vez menos presente na configuração atual de várias metrópoles. Portanto é preciso haver uma maior apropriação coletiva desse espaço para que haja melhorias e a consequente manutenção do local que apesar da sua subutilização, descuido das autoridades e degradação por pichações, continua sendo útil à população próxima.

Algumas medidas simples seriam capazes de alterar a dinâmica do local aumentando a sua utilização. A arborização das laterais ao longo da pista é uma maneira eficaz de tornar a pista mais aconhegante a quem utiliza. Além do aspecto estético causado pelo verde, as árvores promovem uma redução do ruído dos veículos que passam do outro lado. A sombra criada pelas árvores também pode tornar a temperatura mais agradável reduzindo o calor que reflete do asfalto. Já existe um projeto na prefeitura de Belo Horizonte chamado "Uma Vida, Uma Árvore", que propõe o plantio de uma árvore em alguma área verde da cidade para cada criança nascida e registrada em cartório. Uma alternativa seria direcionar este projeto por um determinado espaço de tempo para esta área do entorno do Arrudas.

A ampliação das formas de acesso à pista é uma forma de aumentar o uso dela. Existem algumas passarelas para a Avenida dos Andradas, porém estão muito distantes e a sinalização da avenida não favorece o fluxo de pessoas até a pista. Ampliando a tímida passarela próxima do Shopping Boulevard a pista se tornaria mais acessível para os freqüentadores do Shopping. Mais a frente, perto da Câmara Municipal existe uma passarela do Bairro Santa Tereza para a pista. Construindo uma ponte sobre o Arrudas nessa região haveria maior comunicação com o bairro Santa Efigênia. A pista de caminhada se localiza do mesmo lado da avenida que a estação de metrô e para acessá-la é preciso atravessar sobre a passarela da estação para o outro lado da avenida e depois caminhar até o sinal para ter acesso à pista. Uma intervenção seria melhorar esse acesso construindo uma saída na passarela do metrô diretamente para a pista.





Além da ampliação dos acessos é interessante também criar nestes e em vários pontos ao longo da pista, atrativos como quiosques, um espaço para convívio e uma área para comércios como bancas e lanchonetes, que são úteis a quem usa a pista e podem servir para atrair mais pessoas ao local. Um projeto de iluminação seria útil para oferecer mais segurança e conforto para quem usa o local à noite. Na região existem diversos mosaicos feitos com azulejos usados em bancos e demarcações de quilometragem. Aumentar a presença desses mosaicos seria um interessante apelo visual por contrastar com a paisagem da linha de metrô ao lado.





Estas são ações relativamente simples mas que contribuem muito para direcionar usos ao local, possibilitando que a população valorize-o. Além disso, pode servir como um incentivo para o poder público criar este tipo de espaço em outras áreas da cidade.

sexta-feira, 26 de março de 2010

"RIOS URBANOS"

Depois de tentativas sem sucesso de um exemplo de utilização inusitada de um rio urbano de Minas Gerais, nos deparamos com a curiosa comemoração do dia de São Patrício, no Rio Chicago - EUA...




O Rio Chicago tem 251Km de extensão, atravessa o centro da cidade de Chicago e desagua no Lago Michigan.





O corante esverdeado foi utilizado no rio Chicago pela primeira vez em 1961, para diferenciar dejetos. Esta tradição vem se repetindo ao longo dos anos para comemorar o dia de São Patrício, festejo típico de irlandeses - grande comunidade de imigrantes em Chicago.


Além da pintura do rio, acontece uma parada na mesma região, no sábado anterior ao dia de São Patrício (17 de março).
Mais imagens e informações podem ser vistas por meio do link

http://viagem.uol.com.br/ultnot/2010/03/12/ult4466u855.jhtm

sábado, 20 de março de 2010

Disse que me disse

Urbanismo efêmero em Belo Horizonte é um artigo do arquiteto Carlos Moreira Teixeira no portal Vitruvius que faz um breve histórico do urbanismo com relação ao planejamento das cidades, e fala também da BH planejada e seus 'vazios' e a BH atual e seus 'cheios'. Assim, o autor faz uma crítica à Lei de Uso e Ocupação do Solo vigente e à falta de espaço na cidade para eventos de médio e grande porte.
Leia o texto em:

http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/02.013/2082

quinta-feira, 18 de março de 2010

GARIMPO

Alguns conceitos...

Isotopias são os lugares onde se manifesta um desejo comum, pré-determinado.
Heterotopias são os lugares onde se visualizam as diferentes idéias e formas de ocupação do espaço.
Espaços neutros são os lugares indiferentes, como se fossem uma pausa entre os espaços heterotópicos e isotópicos.

Belo Horizonte através de seus espaços...

Num deslocamento cotidiano, feito por milhares de cidadãos, entre a casa e o trabalho, podemos observar as diversas topias. Assim, constatamos vários cenários e visões da cidade e seus elementos:


Espaço utópico da lagoa da Pampulha (início do deslocamento casa-trabalho).


Espaço isotópico (local de trabalho, prédio de escritórios).


Numa metrópole como Belo Horizonte conseguimos perceber que "a diferença "isotopia-heterotopia" só pode ser concebida corretamente de uma maneira dinâmica" (LEFEBVRE).

No nosso "garimpo", isso fica evidente em uma praça centenária esvaziada...

Numa casa de 1920 que se transformou em restaurante...



Outra observação neste deslocamento é a criação de um espaço de ligação, a "nova Antônio Carlos", que surge num lugar ocupado por casas anteriormente. É um espaço neutro se formando no lugar de um espaço isotópico.





O mais interessante nessa "garimpagem" é saber que os espaços urbanos estão em constante transformação, recriação e modificação. Esses processos acontecem tanto para atender as funcionalidades quanto para expressar o trabalho artístico.

A atuação do arquiteto-urbanista precisa estar sintonizada com a dinâmica das topias urbanas.